Violência urbana, sua MALDITA! Um tributo a Alex Mariano

Publicado: 8 de agosto de 2013 em Notícias, Rock Company Websode, Rock Nacional
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                                                                                                            por Gustavo Valladares

“(…) empresário de 59 anos, dono de uma loja de ferramentas na Rua Visconde de Sepetiba, em Niterói, foi assassinado no início da noite desta segunda-feira, na porta de sua loja. Testemunhas afirmam que o proprietário reagiu à ação de três assaltantes (…)”

A notícia, que foi ao ar esta semana, poderia parecer prosaica, banal, comum, como milhares de outras que são publicadas diariamente nas editorias policiais de todos os jornais e demais veículos de notícias do gênero, mundo afora, não fosse por um detalhe crucial: o nome do proprietário da loja, Alex Mariano.

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Alex Mariano, para quem ainda não ligou o nome à pessoa, foi simplesmente o principal programador da lendária Rádio Fluminense FM, durante os seus anos de ouro no dial, a década de 80.

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O apelido “Maldita”, de cunho carinhoso, marcou a trajetória da Flu FM, que é sempre lembrada, até hoje, como a maior rádio brasileira segmentada no Rock’n’Roll de todos os tempos. Não se tratava, no entanto, de aplicar-se a denotação habitual do termo, em referência a algum tipo de marginalização gerada por conta de alguma espécie de castigo, imposto por razões religiosas ou sobrenaturais, enfim, ou algo que o valha. Na verdade, o sentido era o de homenagear, de certa maneira, artistas que sofriam algum preconceito, que eram rechaçados por parte da sociedade, digamos assim, ali representada pela mídia, pela própria indústria musical.

Artistas “malditos”, que não recebiam qualquer tipo de reconhecimento. Músicos que, em alguns casos, sequer conseguiam ter sua obra exposta. Condenados à “maldição” aparentemente eterna das portas fechadas. Porém, com a chegada da Fluminense FM, não mais.

A rádio abriu suas portas para todo tipo de artista, todo tipo de banda, sem qualquer tipo de preconceito. E, principalmente, sem a prática do famigerado jabaculê, a execrável troca escusa do “pagou, tocou”. Bandas antigas, bandas novas, Classic Rock, Heavy Metal, Punk, Progressivo, Blues/Rock, Jazz/Rock, Indie Rock, Rock de Garagem, Hard Rock, entrevistas, programas inesquecíveis em sua grade, rock internacional em geral, e um capítulo à parte, claro, o Rock Nacional, que era um dos xodós de Alex Mariano.

A programação da rádio era montada de maneira a dar constante destaque ao Rock produzido por aqui e, na época, pode-se afirmar, sem medo de errar, que a emissora acabou sendo fundamental para o surgimento e o desenvolvimento de centenas de bandas nacionais. A Flu FM de Alex Mariano era a voz principal da então nova geração emergente Rock BR: Paralamas, Barão, Legião, Titãs.

Com o passar dos anos, Alex Mariano acabou afastando-se da rádio, mudando seu ramo de atividade, não deixando, no entanto, pelo que se sabe, de permanecer com os olhos e ouvidos abertos a tudo o que acontecia no mundo do Rock, a sua grande paixão.

A violência que acabou vitimando o empresário não é, infelizmente, nenhuma novidade. E é das que que chocam, até, pela banalidade: resultado de uma mera disputa de território, como se diz, por bandos de diferentes facções, ligados ao tráfico de drogas, na região de Niterói e São Gonçalo. “Bichos escrotos, que saem dos esgotos”, diriam os Titãs.

Bichos… malditos. Mas considerados como tal, é claro, na acepção da palavra. E sem aspas, por favor.

Alex Mariano deixa viúva, três filhos, e uma legião de admiradores.

Staff da Flu FM, em 1982: Alex Mariano é o único que usa óculos. Ele está na segunda fila, de baixo para cima, ao lado das locutoras Selma Boiron e Liliane Yusim

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Abaixo pode ser assistido uma entrevista da TV Brasil com Luiz Ântonio Mello, idealizador da MALDITA, a respeito de seu livro contando a história da rádio,

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comentários
  1. Antonio Luis Lopes Pereira disse:

    Grande moniquinha, muito bem lembrada pelo Luiz, A MALDITA, foi a rádio da minha juventude, maravilhosa, parabéns Luiz, pelo trabalho, parabéns a todos que fizeram parte desta história. Em tempo a Mônica Venerabile, perdoa-me se por acaso errrei na escrita do seu sobre nome, se não estou enganado, tambem é Niteroiense, foi maravilhosa enquanto a frente da programação. Valeu galera!

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