Posts com Tag ‘Rock Nacional’

                                                                                                            por Gustavo Valladares

“(…) empresário de 59 anos, dono de uma loja de ferramentas na Rua Visconde de Sepetiba, em Niterói, foi assassinado no início da noite desta segunda-feira, na porta de sua loja. Testemunhas afirmam que o proprietário reagiu à ação de três assaltantes (…)”

A notícia, que foi ao ar esta semana, poderia parecer prosaica, banal, comum, como milhares de outras que são publicadas diariamente nas editorias policiais de todos os jornais e demais veículos de notícias do gênero, mundo afora, não fosse por um detalhe crucial: o nome do proprietário da loja, Alex Mariano.

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Alex Mariano, para quem ainda não ligou o nome à pessoa, foi simplesmente o principal programador da lendária Rádio Fluminense FM, durante os seus anos de ouro no dial, a década de 80.

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O apelido “Maldita”, de cunho carinhoso, marcou a trajetória da Flu FM, que é sempre lembrada, até hoje, como a maior rádio brasileira segmentada no Rock’n’Roll de todos os tempos. Não se tratava, no entanto, de aplicar-se a denotação habitual do termo, em referência a algum tipo de marginalização gerada por conta de alguma espécie de castigo, imposto por razões religiosas ou sobrenaturais, enfim, ou algo que o valha. Na verdade, o sentido era o de homenagear, de certa maneira, artistas que sofriam algum preconceito, que eram rechaçados por parte da sociedade, digamos assim, ali representada pela mídia, pela própria indústria musical.

Artistas “malditos”, que não recebiam qualquer tipo de reconhecimento. Músicos que, em alguns casos, sequer conseguiam ter sua obra exposta. Condenados à “maldição” aparentemente eterna das portas fechadas. Porém, com a chegada da Fluminense FM, não mais.

A rádio abriu suas portas para todo tipo de artista, todo tipo de banda, sem qualquer tipo de preconceito. E, principalmente, sem a prática do famigerado jabaculê, a execrável troca escusa do “pagou, tocou”. Bandas antigas, bandas novas, Classic Rock, Heavy Metal, Punk, Progressivo, Blues/Rock, Jazz/Rock, Indie Rock, Rock de Garagem, Hard Rock, entrevistas, programas inesquecíveis em sua grade, rock internacional em geral, e um capítulo à parte, claro, o Rock Nacional, que era um dos xodós de Alex Mariano.

A programação da rádio era montada de maneira a dar constante destaque ao Rock produzido por aqui e, na época, pode-se afirmar, sem medo de errar, que a emissora acabou sendo fundamental para o surgimento e o desenvolvimento de centenas de bandas nacionais. A Flu FM de Alex Mariano era a voz principal da então nova geração emergente Rock BR: Paralamas, Barão, Legião, Titãs.

Com o passar dos anos, Alex Mariano acabou afastando-se da rádio, mudando seu ramo de atividade, não deixando, no entanto, pelo que se sabe, de permanecer com os olhos e ouvidos abertos a tudo o que acontecia no mundo do Rock, a sua grande paixão.

A violência que acabou vitimando o empresário não é, infelizmente, nenhuma novidade. E é das que que chocam, até, pela banalidade: resultado de uma mera disputa de território, como se diz, por bandos de diferentes facções, ligados ao tráfico de drogas, na região de Niterói e São Gonçalo. “Bichos escrotos, que saem dos esgotos”, diriam os Titãs.

Bichos… malditos. Mas considerados como tal, é claro, na acepção da palavra. E sem aspas, por favor.

Alex Mariano deixa viúva, três filhos, e uma legião de admiradores.

Staff da Flu FM, em 1982: Alex Mariano é o único que usa óculos. Ele está na segunda fila, de baixo para cima, ao lado das locutoras Selma Boiron e Liliane Yusim

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Abaixo pode ser assistido uma entrevista da TV Brasil com Luiz Ântonio Mello, idealizador da MALDITA, a respeito de seu livro contando a história da rádio,

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                                                                                                                        por Gustavo Zebs

Para quem é de Nova Friburgo, e tem assim como eu, por volta de 40 anos de idade e já fazia um som com os amigos desde moleque, vai lembrar e reviver com muita saudade o que vou relatar aqui, pois para mim, é um dos momentos de minha juventude que mais tenho saudade: as nossas bandas de garagem!
    Do ano de 1985 até o final da década de 90, muitos de nós, através dos recreios de colégio, proximidade de vizinhança, festivais de música ou sendo apresentados por amigos, começamos aos poucos a nos movimentar e juntar músicos que tivessem o mesmo gosto musical e que tinham a mesma vontade de estar aos sábados e domingos enfurnados dentro de garagens, quartos ou onde quer que fosse, fazendo um som, tirando músicas, batendo papo, tomando uma cerveja e combinando o que se faria à noite.
    Nesse período, as casas de shows dificilmente convidavam as bandas para se apresentar, pois os DJs já tomavam conta dos espaços. Felizmente naquela época, as festas de igreja ou pequenas festas particulares abriam seus espaços para todo estilo musical, e lá íamos nós, com aquele equipamento que sempre deixava a desejar, realizar nosso tão sonhado show!
    Muitos dos amigos que tenho atualmente são músicos. Sempre nos encontrávamos para trocar idéias de possíveis shows, ensaios, aparelhagens, discos, viagens, etc. Muitos de nós ainda temos a velha chama de ter uma banda, ensaiar e fazer uma apresentação nas horas vagas. Alguns sortudos o fazem como profissão, sendo instrumentistas, compositores, produtores, professores, etc.
    Algumas bandas dessa época eu me lembro: Carícia Cruel, Asa de Luz, Maníacos de Gotham, Biotipo, Censura Livre, Backdoor, Renato Nara e Gangsters, Confidence, Mistura Fatal, AI-5, Watanuza, S.T.I., Caligrafia Selvagem, Foxy, L 57, Edu Quintanilha e Banda, Creuzebeck Band-Aid, Nêmesis, Esquadrilha da Fumaça e muitas outras. Tínhamos muitas diferenças nos gostos musicais, mas uma grande amizade, produzindo shows em conjunto onde dividíamos equipamentos, os pequenos lucros, e em muitas vezes os prejuízos, mas os “15 minutos de fama” , as estórias que ficavam e as risadas, eram a recompensa para tanto esforço.
    É muito bom quando agora nos esbarramos pelas ruas de Friburgo e recordamos as estórias engraçadas que vivemos. Melhor ainda quando temos a sorte de poder estar convidando os mesmos amigos para a próxima apresentação do projeto musical ao qual estamos atualmente envolvidos. Mas a pergunta, agora é outra: “E você? Está tocando com quem agora?”.
Porque nosso show… não pode parar!

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